Trinta anos de ofício: como o Grupo Arrisca leu o mercado antes de todo o resto

Antes de qualquer plano de negócio, Adenilson aprendeu um ofício.

O curso de encadernação no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo foi uma escolha de quem queria aprender um ofício. Trinta e poucos anos depois, esse ofício está na base de uma operação com mais de 70 funcionários e 3.000 m² de produção.

Da papelaria ao primeiro grande negócio

Depois do curso, Adenilson foi trabalhar numa papelaria especializada em material técnico e de engenharia. Era um ambiente frequentado por artistas plásticos e pintores que tinham relação concreta com papéis especiais e acabamento de qualidade. Aquele contato diário foi construindo algo que nenhum curso entrega: uma rede de pessoas que precisavam de serviços especializados e um olho treinado para perceber o que ainda estava sendo deixado de lado.

A oportunidade veio com os fascículos. Na década de 90, era comum comprar coleções semanais nas bancas de jornal. Ao longo de meses, quem comprava cada edição acumulava um conjunto que precisava, no final, de alguém para encadernar tudo aquilo num livro. Adenilson percebeu que aquele serviço não estava sendo oferecido com a qualidade que o produto merecia. Começou a oferecer e os clientes vieram.

O negócio próprio e o nome que ficou

Com o volume de atendimentos chegando a 150 papelarias em São Paulo, a operação havia crescido além do espaço onde cabia. O primeiro endereço próprio foi no Jardim Peri Peri, em São Paulo. Era um começo enxuto, sustentado por algo mais difícil de construir do que estrutura: clientes reais e um serviço que funcionava.

O nome nasceu de uma conversa entre Adenilson e o irmão, que também trabalhava no negócio. “Arrisca” surgiu de uma combinação: o verbo arriscar e o ato de riscar ligado ao lápis. O nome de uma marca de mochilas que os dois conheciam entrou nessa mistura também. A frase que resume a filosofia por trás do nome ficou desde então: quem não arrisca nada, arrisca tudo.

A leitura de mercado que orientou cada transição

As primeiras produções eram blocos de anotações revestidos com papel de presente, feitos com o cuidado artesanal que veio do curso de encadernação. Com o tempo, as caixas e os livros passaram a ocupar mais espaço na operação por um motivo direto: entregavam mais retorno.

Cada mudança no mix de produtos foi uma resposta ao que a clientela pedia e ao sinal que o mercado dava. Esse padrão de leitura se repetiria outras vezes.

A aquisição de uma impressora abriu um segmento que a Arrisca viria a dominar com consistência: a produção de Trabalhos de Conclusão de Curso. Em algum momento, um professor comentou que mais da metade dos TCCs físicos nas bibliotecas da FAAP e da Santa Marcelina, especialmente no curso de moda, tinham saído da Arrisca. Era a percepção de quem via os livros chegando semestre após semestre.

O que trinta anos de ofício constroem

A operação que começou num curso de encadernação ocupa hoje mais de 3.000 m² e tem mais de 70 funcionários. O segmento de premiação corporativa se tornou o eixo principal do negócio, mas a base que sustenta esse crescimento é a mesma desde o começo: atenção ao que o cliente precisa e execução cuidadosa em cada etapa.

Adenilson continua envolvido na operação, e Gabriel, seu filho, cuida hoje de boa parte da comunicação e da expansão do grupo. A história passou de uma geração para a próxima sem perder o que a originou.

O Grupo Arrisca chegou onde está porque em cada momento da trajetória alguém percebeu o que o mercado precisava antes do resto. Esse mesmo olhar segue orientando o que a empresa produz hoje.

Grupo Arrisca

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